Família

F A M Í L I A

                                                                                   

 

                                                                                                         Gil Monteiro*

 

 

As Família são as pessoas do mesmo sangue? Ou elemento do mesmo tipo de linhagem, como Mendel deu ao cruzamento das ervilheiras de cheiro?

Os dois casos complementam-se. “Sangue do meu sangue” será sempre tido em conta; o genético, cada vez mais, impõe o cânone. Se os grupos sanguíneos ainda podem definir a paternidade, em certos casos, o ADN dos genes não deixa dúvidas.

A Família acabou? Não. A genética a determina. Irmãos separados à nascença são capazes de se reconhecerem, vários anos passados. Uma mãe não precisa do rei Salomão para sentenciar o verdadeiro filho. As vivências do grupo familiar são novas e bem diferentes dos tempos idos; e existem em maior número. Enquanto se foi acreditando na regra: “A função faz o órgão”, os resultados eram constatáveis e certos. Mas, com a rápida evolução social, e as disfunções dos elementos do mesmo lar as brechas começaram a aparecer.

A associação de pais, filhos (vários), avós, e apêndices (paquete dos bois), no mesmo tecto não era só pela subsistência e formação, compartilhava os trabalhos domésticos e o lazer, como os de serão de Inverno: leituras, lengalengas, contos, historietas e participar nas rezas. As diferentes intensidades das labaredas dos cavacos, a arder na lareira, iluminavam as caras como luzes da ribalta! As orações eram obrigatórias, e só havia permissão de retirada depois do final da Salve – Rainha dita de pé, desde o ensonado pequeno neto à idosa Avó. As preces pelos defuntos eram muitas, não esquecendo as das almas do Purgatório, principalmente as mais pobres e abandonadas!

As aldeias transmontanas das zonas ribeirinhas tinham muitas viúvas. O Balhestra explicava:

 – Os homens, ao regarem os lameiros, molham os pés e…

Assim, passavam a criar os netos, libertando as mães para os trabalhos agrícolas e outros.

Os avós tinham tanta preponderância que eram, prioritariamente, convidados para baptizarem os netos. Como os homens morriam cedo, um Santo era o padrinho e ainda designava o afilhado! Daí, tantos Josés e Antónios.

Nas recônditas aldeias já não há neófitos. A família fecunda passou à citadina. Mais: os filhos nascem nas maternidades, mas os pais vivem nas periferias das urbes, pois dentro das zonas centrais quase não há nascimentos, só vivem casais de meia-idade e idosos. Os habitantes de Ermesinde originam mais nascimentos do que os da Baixa Portuense!

O novo agregado familiar pode ser, cada vez mais, constituído por filhos de outras uniões e conter “irmãos” sem laços de sangue, e sem incluir os adoptados.

É complicado? Diria não. É diferente. A vida moderna assim obriga. A pacatez antiga outros dados impunha. Pais e filhos dos novos lares têm ser mais tolerantes e cumpridores. Da colaboração dos avós só digo: na aldeia os netos (na mesma casa ou não) viam com os avós, agora são apenas visitas queridas e ambicionadas e prestam serviços a pedido. O gerir os diversos naipes do grupo requer um bom maestro (ª) de, a fim de poder haver boa harmonia.

A rápida evolução social, em todos os sentidos, devia começar pela Família e não ao contrário. “Quem vai para o mar prepara-se em terra”. As águas encapeladas das novas condições sociais podem ser superadas pela eficiência e dedicação constante dos elementos do conjunto familiar, não esquecendo: “Filho és Pai serás…”

 

 

 

 

Porto, 29 de Julho de 2011-07-29

 

                                                                                             

 

                                                    * José Gil Correia Monteiro

                                                      Jose.gcmonteiro@gmail.com

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