SABORES

 

 

 

                                                       *Gil Monteiro

 

“Come devagar e saboreia a comida, senão ficas enfezado!” – Dizia a Mãe, quando me via comer apressado, ansioso de chegar a tempo das brincadeiras na rua. Começava a seleção dos alimentos, em que a salada de pepino era a mais rejeitada, e os nacos de abóbora eram colocados, com paciência, no rebordo do prato da sopa! Como passei a ser um apreciador do agora tão recomendado pepino comestível, gostava de os ver de vários tamanhos, no tendal da horta, e escolher os velhos para semente a secarem, abertos com varinhas de videira! Quando aparecia na quinta o guardador das uvas de Provesende, de arremedo de espingarda ao tiracolo, pedia umas areias de sal, para comer tomates e cebolas, ao natural, junto à bomba do poço da horta, ficava arrepiado! Hoje, fazia-lhe companhia, e trincaria pepinos jovens e de pele lisa.

Se as saladas estão a proliferar nos “comes e bebes”, mais aparecem as frutas decorativas nos acompanhantes das carnes ou peixes. Mas, mas, chegaram em força as ervas aromáticas! Já mastiguei alecrim, manjericão, lavanda, rosmaninho, e o mesmo não fiz às folhas do loureiro por serem muito rijas!

Somos o País das Uvas e dos Bifes a Cavalo. Se uma refeição sem vinho é chocha, um bife sem um ovo estrelado de cobertura não dá pãozinho molhado em gema! As batatas fritas é outro negócio… O prazer de saborear a batata, cozida em molho de azeite e vinagre (do vinho) nasceu com os dentes e continuará sem eles. Molhar o pão em azeite é moda dos novos sabores. No entanto, um molho de grelos cozido, acompanhando as batatas à volta de uma alheira ou morcela, perfuma o ambiente e enche o estômago! Pode a salada de rabanetes deslumbrar em cores de apetite mas, os grelos fazem atuar as papilas gustativas e lembram os nabos ou o caldo fresco de nabiças.

Na cidade do Porto e arredores há bons restaurantes. Primam por servirem bem e terem doses abundantes. Por vezes, aconselham meias doses. Estou em escrever que ganham mais nas garrafas dos bons vinhos, vendido aos clientes. Tenho um amigo, que se teria sido formado em enólogo, caso houvesse já esse curso (!), que sorri ao dar 2 a 3 vezes mais do que o valor do prato encomendado.

Ando na fase de escolher restaurantes gourmet. A decoração dos pratos apresentados sacia o espírito e tapa a fome! Identificar os ingredientes é um exercício apelativo – instrutivo. Mas, o melhor é o significado dos arabescos e pintinhas no prato! Chegou a hora de comer com os olhos?! Mais urgente seria acabar com as fomes…

Ter novos hábitos alimentares.

Quando entrei num bom restaurante em Ceuta, passaram já umas décadas, ao observar os filhos de 8 e 11 anos, e os vi servidos com duas rodelas de pescada ao lado de duas batatas fritas pequenas, sorrimos… Sem comentários!

Um prego no pão, um cachorro quente não podem desaparecer por, mais francesinhas que se invente.

Ao petiscar uns rissóis, saiu-me a lotaria zero! Estava bem formado, mas oco por dentro! Senão o tivesse partido, tinha-o guardado em formol para mostrar!

As melhores empadas são os covilhetes Gomes de Vila Real e os bons doces são: toucinho-do-céu, almandrados, cavacórios, doce da Teixeira, pitos…

 

 

 

                Porto, 18 de julho de 2014                                    *José Gil Correia Monteiro

                                                                                             jose.gcmonteiro@gmail.com

 

 

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