PARQUES CITADINOS

 

                                                                             *Gil Monteiro

 

As atrações turísticas que vão sendo publicitadas, e cada vez mais, com os seus equipamentos de lazer e menos os famosos monumentos arquitetónicos ou naturais, já vistos e revistos nas redes sociais.

As crianças dos centros urbanos são as mais carentes de férias. Não era por acaso que tinham um ano escolar de mais de 9 meses, confinados às salas de aulas, e recreios improvisados (estão sendo melhorados), necessitando de correr e saltar. Deviam poder ver os ninhos das aves, por montes e vales de aldeias, aprendendo a interpretar a vida dos cucos e a sagacidade das perdizes, camuflando a ninhada de filhotes finos, muito finos – deitados de bico e pernas para o ar, parecendo tojos rasteiros! Nas cidades restam as ruas entupidas de viaturas ou os shoppings atulhados de gente, em mercadejar o necessário e o supérfluo, com tempo para dilatar o estômago de hambúrgueres e sorvetes! Fazerem uns dias de campo e praia devia ser obrigatório, como é o ensino. Frequentar os poucos parques das zonas urbanizadas estaria presente em todos os tipos educacionais, sendo indispensável.

Os adultos, os que antigamente iam para termas (férias), passaram a ir para as praias, algumas fluviais de natação, caça e pesca. Num país privilegiado de tantas e bonitas praias, as deslocações tornaram-se vulgares, mesmo antes da descoberta das águas tépidas do Algarve. Os trasmontanos, em geral, continuaram a ser fiéis às estadias na Póvoa de Varzim até Espinho. Em Julho e Agosto, os moradores da Foz Velha (Porto) passavam a viver nos anexos, alugando as casas aos veraneantes da Praia da Luz ou Homem do Leme. Hoje, procuram turismo de habitação, onde não faltem os tratamentos de beleza e piscina de água quente. Para os que podem pagar, claro!

Dá gosto visitar a Quinta de Serralves. Os jovens casais e os filhos são os heróis dos espaços. Os carrinhos de bebé rompem os caminhos e vão até aos prados, onde pachorrentos bovinos e equinos pastam! No Parque da Cidade (Circunvalação) as atividades gimnodesportivas de vários grupos criam a alma sã em corpo são, desentorpecem da vida morrinhenta da cidade! Correr, passear ou andar de bicicleta fazem mexer os convivas, exceto os namorados, sentados na relva a verem os cisnes e os patos, em cabriolas nas lagoas!

Tenho a sorte de a Quinta do Covelo, por artes mágicas da Câmara e vários donos, não ter sido loteada e vendida a retalho (!) Vejo do meu andar altaneiro os pinheiros, as giestas e os tojos. Vou lá ver a evolução das hortas pedagógicas, e comprar alfaces aos vaidosos alunos vendedores! Visito os vários locais, saudando as várias espécies vegetais, conhecidas ou não. Fico perplexo com tanta variedade frutos. Até os castanheiros selvagens dão frutos para mastigar!

Talvez o ar rural e os aromas campestres sejam responsáveis por alguns galinheiros, perto do monte do Covelo. Acordar com o cantar dos galos faz estremecer as recordações dos dias gélidos de nevoeiro, na apanha da azeitona da quinta de Provesende! Hoje, dia 13 de junho, dia de Santo António vai ser dia de Lua Cheia. Vou ter a sorte de à meia-noite “ver” as árvores do Covelo, da marquise do quarto!

Graças ao meu neto, consegui pesquisar a fauna da mata. Ver rolas, melros (muitos), pegas e gaios (!) enche a alma! Conseguir apanhar uma lagartixa foi um bambúrrio de sorte. Devia ainda estar sonolenta da hibernação… O Rui Pedro nem acreditava na simpatia do réptil… Não tive coragem de lhe cortar a cauda para o neto a ver saltar! Observar um formigueiro foi uma sessão de cinema!…

 

 

  

Porto, 13 de junho de 2014

                                                                                                      *José Gil Correia Monteiro

                                                                                                     jose.gcmonteiro@gmail.com

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