EMPIRISMO

Em tempos de crise, algo tem de mudar mesmo. Pode uma empresa comercial manter, por muitos anos, os mesmos resultados? Não. Por a sua sociedade de garagens não dar lucro ou perda é que o Zeferino descobriu que o cunhado o andava a tramar.

Estamos em fase de regressar aos campos, e voltar “a tratar da vida”, como se aprendeu com os pais e avós; ainda que tenhamos eletricidade e computador! Mas, perdeu-se a venda (taberna) do Pirolito, e a solenidade da missa dominical, por falta de sacerdote, substituído pela Ana do viúvo a fazer as rezas na capela. As leiras e lameiros vão deixar de ter silvas, voltando a produzir milho e feno para os animais, pelo menos para um burrito simpático, livre da extinção! Nas “novas” hortas da Richave, iremos encontrar couves, nabos e feijão, com fartura. O trator do Jorge não vai impedir o uso do gravano, para a rega das plantas aromáticas de estimação, junto ao ribeiro da Senhora da Veiga!

Os citadinos estão a aprender, por experiência, que é preciso mudar de hábitos e reciclar o mais possível os objetos usados. A Maria Fernanda tem caprichado nos guisados, graças à utilização de ervas aromáticas, criadas na varanda e marquise do andar virado a nascente. A pequena horta até já produziu favas miúdas! A última inovação foi o cultivo de alfaces, no interior de garrafões de água, rasgados numa face e com as tampas. Como a prateleira tem vários “vasos” de cápsulas de cores diferentes e as alfaces de tons e crescimentos diversos, o efeito visual é lindo! Enquanto os regressos aos campos vão tardando, as habitações citadinas vão passando a rurais, com telhados (terraços) transformados em jardins, como já se vê na cidade do Porto. Sim, pois nas cidades frias, como Toronto no Canadá, encontramos grandes e bonitos jardins nas caves.

Mas, a força da crise está a levar à reutilização das vestimentas guardadas nas arcas! Passaram a estar mesmo na moda, agora que é estapafúrdio é chique! Os adolescentes até as botas de atanado do avô levaram para a faculdade. E, talvez por saturação, metem na mochila umas sandes caseiras, e poupam uns cêntimos na cantina. “No poupar está o ganho!”, disse o Joaquim para os filhos.

Ouvi um ilustre capitalista dizer numa entrevista:

  – Os meus filhos sabiam bem o valor do tostão, quando foram para a Escola.

O conhecimento empírico é útil, quando bem utilizado e sem discordar das ideias inatas. Nem todos os atos podem ser científicos. A educação e o ensino têm muito de imitação, mas o Mundo é feito de mudanças.

Se a formação dos jovens foi, é e será o maior atributo de uma comunidade, estamos a caminho, numa sociedade envelhecida, duma formação efetiva dos séniores – voltar à Escola é preciso!

Os idosos são, constantemente, bombardeados:

 – Ativa o cérebro, mexe as pernas, passeia, vai a espetáculos, lê, faz palavras cruzadas, resolve problemas de sudoku…

As cidades estão a ser dotadas de parques recreativos, e as marginais marítimas apresentam boas e bonitas pistas pedestres e de bicicletas, mas a plena mobilidade só numa aldeia pacata, onde a febre de andar motorizado não chegou, resulta em pleno.

Se Jean-Bastiste Lamarck enunciou, empiricamente:

 – O uso dos órgãos desenvolve-os, o não uso atrofia-os; …

É necessário combater a atrofia!

                                                                     *José Gil Correia Monteiro

                                                                    jose.gcmonteiro@gmail.com

 

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