DEVANEIOS DARWINIANOS

No rebusco do que vou escrevendo, é possível encontrar uma ou outra referência profissional. Só por mero acaso, pois quem gosta de escrever não deve dar lições. Décadas passadas a leccionar vários grupos etários podem deixar marcas relevantes, incapazes de omissão simples. O que  nunca deixaram escapar (sabe-se lá ) foram referências didácticas sobre os temas descritos.  Não arrenego a Pedagogia ou a Didáctica, fundamentais na transmissão do conhecimento, mas, ao escrever contos ou crónicas, ficam na outra face do Mundo da Escola!

 Mas, é a Escola da Vida que fornece o maior número de dados para a Cidadania dos Formandos, em aprendizagem moderna e actual.

Pois bem, tenho que esquecer o enguiço, e voltar à recolha de dados, como que tivesse de dar uma aula sobre a evolução dos seres vivos a jovens alunos. Não resisti ao fascínio de ver pardalitos anões (?!) a apanharem migalhas, no tampo da mesa de um “ bungalow” turístico na Ilha do Sal (Cabo Verde)! Se o saltitar dos pardais sempre encantou ver, desde os parques de Haia, na Holanda, à entrada do Capitólio em Washington, os de agora, só uma palavra crioula de Cabo Verde, pode expressar o deslumbramento da visão: são uma “B. leza”!

Não é preciso ser ornitologista para usufruir do encantamento das actividades das aves, mesmo na cidade do Porto, vendo as super gaivotas ou o “namoro” dos pombos, ou ver construir os ninhos dos pardais e melros nos quintais; o assistir à incrível alimentação de mini pardais a um filhote, por pai de” gravata” ao pescoço e de mãe pardaloca de ”avental” fornecendo as migalhinhas pedidas, por um bater descarado de asas da cria, não lembra ao Deus – Menino! Observar como as plantinhas lutam pela sobrevivência, em terrenos cálidos, ou abrirem as flores na hora própria; ver os carinhos na jardinagem, com água dessalinizada, são outras cenas de espantar!

A imaginação vai para a Origem das Espécies e as observações de Charles Darwin, em Galápagos (Ilhas do Equador) – os bicos dos pássaros turdídeos eram diferentes de ilha para ilha, conforme os hábitos alimentares. Seria a fraca alimentação dos pardais da ilha do Sal que os levou à pequenez?

Enfim, a Evolução é um facto: a Genética o diz. Mesmo o Lamarckismo, que é genial, apesar de gerações de ratos de caudas cortadas não originarem ratos anuros, tem a sua Filosofia biológica evolutiva!  

Conclusão: devia ter tido o privilégio de visitar a Ilha do Sal uns bons pares de anos antes, teria tido o prazer de dialogar, com os alunos do Ensino Secundário, tendo como tema as possíveis mutações dos pardalinhos! Assim, apenas imagino os diálogos…

O solo da Ilha do Sal é desértico, coberto nas planuras pelas areias saharianas, chegadas nas tempestades atmosféricas. Ao norte, tem três morros basálticos, entre os quais se faz alguma agricultura, apesar de anos sem chover. A fauna e a flora são mínimas. Animais domésticos, ainda que a carrinha turística, de quatro lugares, parasse mais do que o desejado, só consegui ver uma cabra, um cavalo e uma pomba (única). Foi preciso entrar na cidade, sede de Concelho, bonita, farta e asseada, para ver um burrico à sombra de uma acácia, “comendo” bocadinhos de tábua de pau! ,  por acaso, ali deixados.

Ver o rebentar das ondas no fundo de antiga cratera vulcânica e o rugido do mar por canais, entre as rochas prismáticas de basalto, é um belo horrível, mais impressionante do que a Boca do Inferno de Cascais. Tem boa segurança natural para o espectador, e deixa ver as cores lindas das águas reflectidas (?), no fundo do grande buraco. Os tons verdes ficam para sempre na retina! E as salinas de outra cratera?!

 – Era como ir a Roma e não ver o Papa – disse o João, sempre ágil a apanhar amostras geológicas, enquanto tomava banho, na lagoa super salgada e recolhia cristais de sal grandes e facetados!

Quando os pardalitos foram tema de conversa, entre convivas em férias, e um, não evolucionista e contrário às transfusões de sangue, tive que dizer:

 – Se não houvesse evolução dos seres vivos, o Homem ainda vivia nas cavernas!

  É preciso conter a clonagem, dizer não aos transgénicos e desenvolver o valor biológico do híbrido.   

Porto, 6 de Janeiro de 2011

                                                                                                       *José Gil Correia Monteiro

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